segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sem fim, então

A brisa fria me refresca
Do calor dos teus olhos,
Pois quando os vejo,
Fitando-me de maneira esperta,
É neles que me afogo.

O contraste atenua-se
Com o passar das horas
A água mexe com tensão
Derramando emoção,
Empolgação
Quase,
Tudo.

Olhares se cruzam
Maneira astuta de olhar
Viajando ou não
Querendo ou não
De qualquer maneira
Enfim, tudo.

Sinceros e puros
Afagam o momento
Voltando no desejo
Que neles sempre
Vai estar.

Momentos pequenos
Tentam e querem
Acalmar aquilo que
Logo mais a noite traz

Eu somente creio
Que a pureza deles exalada
E a sinceridade deles expressada
Remetam à um único momento
E assim penso, sinto e digo:
Vem, então
Enfim e sem fim.

domingo, 18 de outubro de 2009

Caminho da saudade

Quando o escuro
Abraça o silêncio
Uma fissura se mistura
Com a solidão

Uma tristeza abriga
A lágrima cai
De forma sentida
E lenta no chão

Um caminho pensado
Sem volta

Assim como ela
A chuva cai sem perdão
O frio bate
E faz tremer minhas mãos

As poucas linhas
Que dela conseguem
Ser escritas
Remetem um momento
De embriaguez particular
Loucura infinita
A dor da partida

O tempo não para
Corre com anseio
Para que, enfim,
e sem fim
O outro dia tente clarear

Alegrar, alegria
ou talvez nada tente
Apenas o sentido lógico
De que após a escuridão
Tudo há de, enfim
Voltar a iluminar
O calado e triste lar

O sozinho e longo
Caminho da saudade

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Palavra que divide

Distância pode ser o que for.
Pode se tornar um grande sofrimento, ou apenas uma pequena dor.
Pode transformar o encanto em um sentimento mais profundo, ou mostrar que tudo não passou de um surto.
Pode nos trazer de volta ao chão, ou nos deixar eternamente sonhando em ser um avião.
Pode nos fazer querer cada vez mais, em cada pensamento um novo e forte desejo.
Pode nos trazer de volta ao passado, lembranças que embalam dias nostálgicos.
Pode nos fazer chorar por aquilo que nos faz esperar, ou pode nos fazer sorrir por aquilo que ainda há de vir.
Enfim, muitos sentimentos agregados em uma única palavra.
A cada momento ela transborda um tipo diferente de emoção, seja ela para fugir da solidão, ou para alimentar uma bela e inocente imaginação.

sábado, 26 de setembro de 2009

Doce poeta

Como sempre apaixonante
Pena que nesse mesmo instante
Pensas em alguém que não seja eu

Alguém que quer te ver
Com encanto entoar seus cantos
Exalar o que de mais belo
Há em teus contos

Sorrir feliz ao teu encontro
Num bar, na rua ou no ar
Sozinho caminhando ao luar

Desejando ou querendo
Que teu olhar cruze
Aquilo de mais quente
Que o meu consegue emanar

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Contradições passadas

Nunca pensei que algo que esperei tanto tempo não fosse me fazer bem. Nesse instante quero me afundar e ao mesmo tempo bater os braços, continuar no caminho sem medo.
Minhas lágrimas querem cair e meu rosto entristecer, tudo por aquilo que me fez sofrer. Paro na realidade para voltar ao passado. Lembrar o que aconteceu e o que possivelmente gostaria de reviver. Um quente e amado verão. Sem contratempos. Apenas risos e carinhos. Loucura e empolgação. Desejo e tesão. Situações vividas com um fim inesperado. Ensinamentos sofridos e aprendidos diante do que me foi imposto.

Até ontem tudo ia bem, meses de lucidez me fizeram esquecer e compreender seu papel e sua passagem, tudo isso sem ver seu semblante. Após um único olhar, lembranças vieram à tona. Seu jeito único de andar me fez recordar como caminhava ao seu lado, acompanhando seus passos quando segurava sua mão. Me guiava pelo túnel cumprido e movimentado com cuidado.

Mas hoje fazendo o mesmo caminho senti um aperto ao ver seu rosto. Estava caminhando sozinho, do outro lado, distante. Tive vontade de tudo e nada fiz, nada consegui a não ser parar e reviver as lembranças que pairavam soltas no ar.
Agora sinto que melhor era não ter acontecido, pois neste momento a raiva se mistura com a ternura e a ilusão, tirando o único encanto sobrevivente dentro de um entristecido coração.